Alice caía em si.
O que haveria de tão perigoso em amar?
O que há de tão dolorido e devastador no amor?
O amor em si não parece ter armas...
Parece melhorar o ser...abre os olhos, sensibiliza a pele, estica o gostar. faz nascer um riacho de águas que insistem em cair pelos olhos, não de tristeza.
Por que colocar nele tantas armas letais?
Tantas posses, tantos ais?
Alice caía em si. E com ela o amor caía...Pra dentro dela. E esvoaçava. Era ele quem ela queria. Era ele com quem sonhara. Ele que não estava num só lugar, corpo, pessoa. O amor enfim, era muitos.
Era avassalador. Era carne, osso, imatéria.
O amor atravessou todos os padrões. Foi surpreendido.
Ele mesmo se viu preso. Não era assassino, mas culpavam-no.
Alice não. Não culpara mais ninguém por amar. E amou.
Como quem nunca teve medo de ser só.
Amou intensamente e a cada passo, a solidão aparecia como chão.
Era ela, afinal...A quem todos temem.
Amar pisando a solidão parecia condição mais propícia para aquele corpo.
Alice caía. Para dentro de si. Para dentro da Alice, Alice caía. E assim amava...
quarta-feira, 13 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
quando deixei.
Quando
deixei de acreditar em mim
me
separei de mim, de tudo que sinto
Só
senti o medo
E
ele sobrando, faz eco no peito…
Dá
nó na garganta
seca
todas as lágrimas, mas não tira a vontade de chorar…
Quando
deixei de acreditar em mim
Já
não havia mais lugar. O mercado tava cheio. Era tanta gente que
ficava todo mundo só.
Quando
deixei…
Eu
perdi o riso. A gargalhada se despediu profundamente...os desejos se
fantasiaram de nada...e eu os perdi de vista.
Fiquei
patética. Falando das dores. Fazendo o medo me engolir, com casca e
tudo.
Tudo
que sonhei se espatifou...já me confudia… “fui eu que fiz isso?”
“Eu sonhei com esse lugar?”
Não
sabia mais quem eu era...não sabia.
Quando
me deixei…
Fiquei
tão triste...que fingia estar tudo bem e não tinha coragem de dizer
“eu não sei mais quem eu sou”. Meus olhos secaram...meus pêlos
não se arrepiaram mais…
O
prazer virou medo.
Quando
o prazer vira medo a vida se revolta...é mar bravio...é vento
bravo...é Iansã rodeando o que não quer ver.
O
mar bravio de dentro…
Esse
é uma faca no peito.
O
canto paralisa. E sempre parece que tento ser algo que não está
aqui.
A
dor de tentar ser o que não é, é tão imensa quanto a palavra
Deus.
Destrói
sua memória. E você não se lembra quem era...o que quer dizer?
O
que tens a dizer?
Cantar
é dizer...rir é dizer...ter prazer é dizer...E o medo te cala.
Quando
deixei…
Parei
de cantar. Parei de criar. Parei de compor. Parei de musicar.
Porque
nada mais seria suficiente.
E
assim a gente morre...a pior morte de todas…é a morte de dentro.
Abril, 2016.
domingo, 10 de julho de 2016
palavras de horizonte.
Palavras se agitam
para um passeio.
Naquele dia, o
silêncio falou mais alto. Quis ponderar a vida, a ligação entre o
que se pensa, o que se cala, o que se fala.
O silêncio mandou.
Tirano como às vezes é. Rebelde como às vezes precisa.
Não se pode apenas
lhe maldizer.
Mas as palavras
quiseram passear para mais longe...queriam alegremente contar tudo
que se passava dentro do corpo, em detalhes, a todo o céu.
Não puderam…
Seguraram-nas. À
força.
“Não digam nada!
Ou partes deste corpo serão devastadas”. O amor ao corpo era
grande e elas silenciaram. Nada disseram pela boca.
Pararam pra pensar…
Acharam outro
caminho.
Pelos olhos, somente
quem interessa entenderá e saberá. Vamos, vamos caminhar até
encontrar o caminho dos olhos…
E assim seguiram,
silenciosas como quem vai para um passeio no jardim.
Algumas saíram
pelos olhos… Como é palavra voando dali?
Não se explica.
Não se ouve com os
tímpanos.
Apenas outros olhos
as ouviriam.
Ouviram…
E assim conversaram
pelos olhos…
Outras palavras
seguiram pelos dedos.
Olhos, mãos, dedos,
pêlos conversaram entre si.
As palavras que
nunca foram ditas aos céus…
Não entraram em
detalhes, mas se disseram por aí. Acharam seus caminhos.
Encontraram
horizontes…
Olhares de
horizonte.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
tarde.
Já chegou o entardecer
Céu rosado pinta os olhos de quem vê
Já se foi o dia de se entristecer
Quem vem?
É tarde
Céu se casou com terra e deu no pé a criadeira
Deu fé na corredeira
Choveu!
Fez crescer nossa morada de horizontes, madrugadas
Muito amor pra se colher
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
branca.
E ela estava ali. Frente a um exército de nós que deveriam ser desatados.
Estava branca, não tanto pela palidez que lhe era natural, nem pela pouca melanina que lhe habitava o corpo. Estava branca de alma, branca de olhos, branca de afeto.
Olhava os nós serenamente. E nada, nada sentia.
Era absolutamente indiferente a tudo aquilo que teria que fazer.
Havia tempo. Era paga pra isso. Não para olhar, mas desatar.
A indiferença pouco importava, mas desatar os nós, isso sim era importante.
Ela se abaixou, encostou as nádegas pesadas no chão, e começou a desatar o primeiro, vagarosamente.
Um olhar tão fundo que mal se sabia onde estavam suas pupilas.
A boca seca não falava um "a" sequer.
Apenas mexia seus dedos já suados,não pelo calor que fazia, mas porque lhe era natural.
O suor deixava os nós escorregadios.
Ficava dificil desatar o primeiro. O tempo passava. Aproximava-se do final do primeiro periodo.
Aquele silêncio não ajudava a otimizar o trabalho que tinha.
ela se levantou. Como se fosse abrir um buraco no chão, tamanha sua falta de ânimo, alegria e cor.
Estava agora transparente e pesada. Soltou o nó quase desatado e molhado, no chão.
Deu alguns passos até uma geladeira que se confundia com a parede torta.
Abriu um pote e lá estava uma comida velha e gelada.
Não fez cara de quem comeu e não gostou, nem de que comia algo delicioso e fresco.
Não fez cara.
Ela não tinha cara.
Não tinha vento.
Não tinha frio.
Terminou sua marmita e retornou ao trabalho.
Ainda faltavam 4 horas para desatar todo aquele batalhão de nós.
Sentou-se no chão, e voltou seu olhar sem olhos para o primeiro nó molhado.
Findado este, pegou o próximo.
No dia seguinte,
ela estava ali. Frente a um exército de nós que deveriam ser desatados.
Estava branca, não tanto pela palidez que lhe era natural, nem pela pouca melanina que lhe habitava o corpo. Estava branca de alma, branca de olhos, branca de afeto.
Olhava os nós serenamente. E nada, nada sentia.
Era absolutamente indiferente a tudo aquilo que teria que fazer.
Havia tempo. Era paga pra isso. Não para olhar, mas desatar.
A indiferença pouco importava, mas desatar os nós, isso sim era importante.
Ela se abaixou, encostou as nádegas pesadas no chão, e começou a desatar o primeiro, vagarosamente.
Um olhar tão fundo que mal se sabia onde estavam suas pupilas.
A boca seca não falava um "a" sequer.
Apenas mexia seus dedos já suados,não pelo calor que fazia, mas porque lhe era natural.
O suor deixava os nós escorregadios.
Ficava dificil desatar o primeiro. O tempo passava. Aproximava-se do final do primeiro periodo.
Aquele silêncio não ajudava a otimizar o trabalho que tinha.
ela se levantou. Como se fosse abrir um buraco no chão, tamanha sua falta de ânimo, alegria e cor.
Estava agora transparente e pesada. Soltou o nó quase desatado e molhado, no chão.
Deu alguns passos até uma geladeira que se confundia com a parede torta.
Abriu um pote e lá estava uma comida velha e gelada.
Não fez cara de quem comeu e não gostou, nem de que comia algo delicioso e fresco.
Não fez cara.
Ela não tinha cara.
Não tinha vento.
Não tinha frio.
Terminou sua marmita e retornou ao trabalho.
Ainda faltavam 4 horas para desatar todo aquele batalhão de nós.
Sentou-se no chão, e voltou seu olhar sem olhos para o primeiro nó molhado.
Findado este, pegou o próximo.
No dia seguinte,
ela estava ali. Frente a um exército de nós que deveriam ser desatados.
domingo, 6 de janeiro de 2013
os instantes das sílabas.
um fluxo que se perde em meio a tantos instantes.
por hora achava que não saberia o que dizer a ele. De repente, cada sílaba se disse por si. Saiam como quem vai pra uma festa de gala, de havaianas. Interessadas em sentirem-se confortáveis e belas.
Ficavam assim, rodopiando juntas e separadas... fugiam. Voltavam.
E a cada volta, um reencontro aliviado...afinal, os instantes criativos daquelas pequeninas silabas voltavam a se reconhecer...
Era um tempo grande que se ficava longe delas. Um tempo doído, dificil, mas que faz parte dos instantes tantos que se perdem nas sílabas.
Quem disse que há aviso pra não saber quem se perde aonde, quando e porque?
Quem se perde em instantes, por instantes, com instantes... as sílabas fazem-nos perder tanto. e rir tanto.
que falar e perder vira quase um beijo de cabeça pra baixo...
parece que a festa tem sido boa! com instantes belos e sílabas confortavelmente instigantes.
memória.
Um buraco que fica na memória
É a gente que passa bem mais devagar
É a vida que arde, é tarde pra agüentar
É o tranco sereno de ir embora
Uma presa que fica na teia de lá
Se debate, rebate, só fica
Se cansou de virar uma mosca
Quer ser só uma moça que pode lembrar
Vou olhar bem pro alto e te imaginar
Com os olhos aguando só de alegria
Cada ida é um tempo da gente parar
E se ouvir com mais vez, silenciar
Um buraco que fica na passagem
Nessa coisa de corpo que às vezes grita
O desenho que faz eu te balbuciar
Um sorriso esboçado que quase se apaga
Borboleta que corre de dia a orar
Uma prece da pressa que tem em viver
E ela voa tão calma que dá pra mirar
E pausar essa vida que a alma agita
Vou olhar bem pro alto e te imaginar
Com os olhos aguando só de alegria
Cada ida é um tempo da gente parar
E se ouvir com mais vez, silenciar
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
colado em céu.
ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
E que os temores iam sempre com as chuvas...
O que é que há com essa gente toda?
Que corre das gotas pra nao se molhar
Onde é que tá o gosto em gostar da tempestade, de chorar?
de manha cedo a lua vem se despedir de mim...
Vai com voce embora, ora, já era a hora de ser assim
O que é que há com a gente quando quer ficar aqui?
Mas vai correndo embora. Ora, nao era a hora de partir...
Abre essa porta pra berrar de tanto gargalhar, rolar, chorar de rir.
Vem cá cantalorar, me afagar pra ir dormir...
Ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
Alguém roubou o amor que tinha cultivado só pra si.
Fiquei sem pressa de esperar as águas soltas
que brincam de escorrer em nós
quem sabe um dia volta pra me ver passar
e se descole desse céu de mar para aqui ficar, me mergulhar...
E que os temores iam sempre com as chuvas...
O que é que há com essa gente toda?
Que corre das gotas pra nao se molhar
Onde é que tá o gosto em gostar da tempestade, de chorar?
de manha cedo a lua vem se despedir de mim...
Vai com voce embora, ora, já era a hora de ser assim
O que é que há com a gente quando quer ficar aqui?
Mas vai correndo embora. Ora, nao era a hora de partir...
Abre essa porta pra berrar de tanto gargalhar, rolar, chorar de rir.
Vem cá cantalorar, me afagar pra ir dormir...
Ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
Alguém roubou o amor que tinha cultivado só pra si.
Fiquei sem pressa de esperar as águas soltas
que brincam de escorrer em nós
quem sabe um dia volta pra me ver passar
e se descole desse céu de mar para aqui ficar, me mergulhar...
domingo, 30 de janeiro de 2011
ao som de cantoluna - song from a secret garden
Os passos caminham trêmulos.
Pisam o chão com uma nitidez obscura, como quem não sabe se pisa em terra, areia ou água.
Por fim, era terra. Areia. E água.
Que manchavam os dedos da sua cor preferida, e deixava marcas pra trás...
Manchar os pés não é tão ruim... deixar marcas também não.
Podem saber o caminho que percorro...as horas que paro, me demoro, outras em que danço ou corro.
Podem saber tudo pelas marcas que ficam. Os passos trêmulos. Os passos longos. Outros ligeiros...
Ás vezes me deito na terra...e giro com ela.
Mancho o corpo todo.
Deixo marcas no chão.
Marcas que ficam, e se demoram...
Se demoram...
Se demoram...
Me levanto.
Saio da cena.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
outra frequencia.
Um olhar pro vento que entra nos cômodos da casa. Antes, um frio, um incomodo. Hoje, uma brisa que chega para dar bom dia...
Dantes, algumas subidas no morro seriam suficientes pra fazer o ar parar de entrar...hoje apenas algumas cócegas inocentes de que se ama, já o fazem...
Aquela boneca que estava guardada por trazer lembranças lindas e infinitas da infancia na casa da vó, hoje não é mais necessária para que se fixe no armário de memorias, momentos como aqueles...
Perder o sentido tem muitos sentidos.
A vida às vezes perde seu sentido, e nos faz inventar outros... E quem estava nos acompanhando naquels estrada, se nao olhar pra onde damos a seta, nao saberá nosso caminho...
Mas podemos nos falar de longe, hoje existem as tecnologias...
Antes elas faziam sentido para a comunicação...Hoje, nao preciso mais delas. Conecto-me com minha irmã em pensamento, em vibração com o mundo.
Conecto-me com o mundo e seus artistas incessantes pela vida, e a frequencia em que ela vibra...
Há quem viva isso. Há quem compreenda. Há quem nao queira participar deste encontro...
E tudo bem, afinal, as frequencias sao multiplas!
E viva a diversidade humana, emocional, intelectual, vital, corporal, sexual, natural!
Viva a diferença...e viva sempre em nossos corpos...
Antes, perder o sentido fazia ter medo. Era ruim. Era grande e imenso.
Hoje, é isso mesmo...um exercício para quem está vivo...
O desapego é sempre um apego a outros modos de relação...
Deixar a paz entrar...não precisa fazer barulho pra se ter uma festa!
Posso ser a festa, o quanto e quando quiser....
Ser sério e feliz. Querer rir de outras coisas. Querer viver outras danças. Falar outra lingua, outro sotaque. Vibrar em outra frequencia...
Antes um parto dificil, hoje, um momento a ser degustado com todos os sabores...
A isso?
Eu chamo amor.
Dantes, algumas subidas no morro seriam suficientes pra fazer o ar parar de entrar...hoje apenas algumas cócegas inocentes de que se ama, já o fazem...
Aquela boneca que estava guardada por trazer lembranças lindas e infinitas da infancia na casa da vó, hoje não é mais necessária para que se fixe no armário de memorias, momentos como aqueles...
Perder o sentido tem muitos sentidos.
A vida às vezes perde seu sentido, e nos faz inventar outros... E quem estava nos acompanhando naquels estrada, se nao olhar pra onde damos a seta, nao saberá nosso caminho...
Mas podemos nos falar de longe, hoje existem as tecnologias...
Antes elas faziam sentido para a comunicação...Hoje, nao preciso mais delas. Conecto-me com minha irmã em pensamento, em vibração com o mundo.
Conecto-me com o mundo e seus artistas incessantes pela vida, e a frequencia em que ela vibra...
Há quem viva isso. Há quem compreenda. Há quem nao queira participar deste encontro...
E tudo bem, afinal, as frequencias sao multiplas!
E viva a diversidade humana, emocional, intelectual, vital, corporal, sexual, natural!
Viva a diferença...e viva sempre em nossos corpos...
Antes, perder o sentido fazia ter medo. Era ruim. Era grande e imenso.
Hoje, é isso mesmo...um exercício para quem está vivo...
O desapego é sempre um apego a outros modos de relação...
Deixar a paz entrar...não precisa fazer barulho pra se ter uma festa!
Posso ser a festa, o quanto e quando quiser....
Ser sério e feliz. Querer rir de outras coisas. Querer viver outras danças. Falar outra lingua, outro sotaque. Vibrar em outra frequencia...
Antes um parto dificil, hoje, um momento a ser degustado com todos os sabores...
A isso?
Eu chamo amor.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O galego.
Um passo rápido me mantinha ereta para atravessar a rua e chegar à calçada.
A companhia era agradável de alguem que compartilha comigo as delicias e dores a convivencia, da divisão de espaço, sala, banheiro, contas de luz e sem contas de telefone.
O assunto? Algo trivial, como entender onde era o mercado que já ouvira falar. Por onde pisar pra nao encostar nos cocôs de cachorro pelo chão. Nesses olhares pro chão os encontrei.
Eram olhos de diamante, da cor do mar quando 14 bis o canta. Cabelos louros, pele morena de sol.
Jovem.
Muito jovem.
Estava sentado na sarjeta olhando pro horizonte que parecia existir pra ele naquele momento.
Olhar de horizonte. Belo.
Cruzamos os olhares e desviamos.
Olhei de novo.
As roupas em farrapos.
Trapos.
Não sabia a cor, já que tudo estava em tons de marrom e cinza.
Quem era aquele homem? O que teus olhos miravam?
Mil pessoas passavam por ele e desapercebiam-no.
Imagino que ninguém conheceria sua narrativa e quem sabe, isso não aconteça nunca.
às vezes nos permitimos apenas ver, nos afetar, gerar encontros silenciosos, mas não sair disso.
A companhia era agradável de alguem que compartilha comigo as delicias e dores a convivencia, da divisão de espaço, sala, banheiro, contas de luz e sem contas de telefone.
O assunto? Algo trivial, como entender onde era o mercado que já ouvira falar. Por onde pisar pra nao encostar nos cocôs de cachorro pelo chão. Nesses olhares pro chão os encontrei.
Eram olhos de diamante, da cor do mar quando 14 bis o canta. Cabelos louros, pele morena de sol.
Jovem.
Muito jovem.
Estava sentado na sarjeta olhando pro horizonte que parecia existir pra ele naquele momento.
Olhar de horizonte. Belo.
Cruzamos os olhares e desviamos.
Olhei de novo.
As roupas em farrapos.
Trapos.
Não sabia a cor, já que tudo estava em tons de marrom e cinza.
Quem era aquele homem? O que teus olhos miravam?
Mil pessoas passavam por ele e desapercebiam-no.
Imagino que ninguém conheceria sua narrativa e quem sabe, isso não aconteça nunca.
às vezes nos permitimos apenas ver, nos afetar, gerar encontros silenciosos, mas não sair disso.
sábado, 13 de novembro de 2010
aquele do toldo azul.
Mal chegara no ponto de onibus estava ali, sonhando debaixo do cobertor preto e vermelho que já parecia úmido da garoa mareada.
Um tempo depois, acordou. Levantou a cabeça, como quem está vendo mas não está enxergando, nem a rua, nem as pessoas, nem o movimento. Passeo como se fingisse não vê-lo, mas não consegui disfarçar.
Os olhos se cruzaram, e logo desviaram para não serem notados. Mas foram.
Percebi que me observava, em meio às tosses que pareciam cuspir a alma. Não se importava me tossir alto, em gritar que estava ali, era o seu jeito de se fazer notar.
Voltou a se deitar. E eu, procurando o coletivo que ja se demorava. Procurava sabendo que queria ficar ali mais um pouco. E aí, lembrei-me que guardava 2 pães na mochila ja estufada. Na hora de comprar, um a mais, que nunca havia comprado. Parecia que alguem sabia que ele iria saciar outras fomes. Pensei em oferece-lo. Não pela fome que parecia atordoa-lo, mas pela janela que se abriria para um encontro. Ensaiei. Me demorei. Peguei o saco. Mantive fechado, segurando o cheiro de massa fresca ali dentro.
Ele tossia. Deitara-se de novo. Após um respiro profundo, e olhos semiabertos para chegar mais perto, vozes altas cortaram o fluxo.
Dois homens chegaram falando alto, soltando fumaça pela boca. Falavam de trabalho e casa. Não pareciam companheiros da rua.
Não larguei o saco de pão. não larguei a ideia de compartilhar substancia de vida. Mas as pernas nao saíam do lugar. Os afetos circulavam no peito, fazia força pra sair, mas nao encontraram saída, nem criaram passagem. O letreiro iluminava meus olhos fracos pela imobilidade.
Cada vez mais. Cada vez mais perto. Levantei os braços. enquanto segurava a mala, o saco de pão, o cheiro, a palavra, o encontro, o fracasso por nao ter compartilhado nada além de incomodos e breves olhares.
às vezes a indiferença é intensidade disfarçada.
Um tempo depois, acordou. Levantou a cabeça, como quem está vendo mas não está enxergando, nem a rua, nem as pessoas, nem o movimento. Passeo como se fingisse não vê-lo, mas não consegui disfarçar.
Os olhos se cruzaram, e logo desviaram para não serem notados. Mas foram.
Percebi que me observava, em meio às tosses que pareciam cuspir a alma. Não se importava me tossir alto, em gritar que estava ali, era o seu jeito de se fazer notar.
Voltou a se deitar. E eu, procurando o coletivo que ja se demorava. Procurava sabendo que queria ficar ali mais um pouco. E aí, lembrei-me que guardava 2 pães na mochila ja estufada. Na hora de comprar, um a mais, que nunca havia comprado. Parecia que alguem sabia que ele iria saciar outras fomes. Pensei em oferece-lo. Não pela fome que parecia atordoa-lo, mas pela janela que se abriria para um encontro. Ensaiei. Me demorei. Peguei o saco. Mantive fechado, segurando o cheiro de massa fresca ali dentro.
Ele tossia. Deitara-se de novo. Após um respiro profundo, e olhos semiabertos para chegar mais perto, vozes altas cortaram o fluxo.
Dois homens chegaram falando alto, soltando fumaça pela boca. Falavam de trabalho e casa. Não pareciam companheiros da rua.
Não larguei o saco de pão. não larguei a ideia de compartilhar substancia de vida. Mas as pernas nao saíam do lugar. Os afetos circulavam no peito, fazia força pra sair, mas nao encontraram saída, nem criaram passagem. O letreiro iluminava meus olhos fracos pela imobilidade.
Cada vez mais. Cada vez mais perto. Levantei os braços. enquanto segurava a mala, o saco de pão, o cheiro, a palavra, o encontro, o fracasso por nao ter compartilhado nada além de incomodos e breves olhares.
às vezes a indiferença é intensidade disfarçada.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
ocividade.
Em vez de acordar cedo, levanta o corpo depois da hora marcada.
A música do primeiro cumprimento do dia nao tocou hoje, e o sonho quis um tempo maior para correr atras do prejuízo...
Nunca tinha prestado atenção nos ponteiros do relogio da cozinha, como eram ligeiros.
Os afazeres estavam se acumulando ao mesmo tempo em que iam com a descarga que ouvira logo de manhã.
O ócio voltava a fazer parte dela, e isso muito incomodava.
Nada fazia com que ele fosse criativo, pelo contrario...se repetia, repetia, repetia, e paralisava a ação.
Os ponteiros nao só era ligeiros, como em alguns momentos esperniavam!! Falavam alto demais, atrapalhava os momentos de nao fazer nada.
Era um jeito de suportar alguma coisa que doía.
Ao mesmo tempo em que nao se suportava o ócio.
Isso sim é que é uma produção social da não atividade, o sentimento descpnfrtavel que gera a impressao de inutilidade...inutil pois nao trabalha, nao há produto no final do processo, não há material objetivo, nem subjetivo.
"O que fizeste nos ultimos 6 dias?"
"Não sei...não me lembro"
A memória começa a se aliar ao negócio.
E então, tudo parece se aliar ao negocio... o tempo, os ponteiros, a culpa, a angustia, a memoria, o riso, a inspiração, a criatividade, a vida.
E como ela vive? Se tudo parece ser engolido desenfreadamente pela atividade incessante?
Se a solidão não cria mais sensação de auto-conhecimento? Se os sonhos parecem ficar presos à noite escura, e desaparecem do mundo quando esta acordada?
A música do primeiro cumprimento do dia nao tocou hoje, e o sonho quis um tempo maior para correr atras do prejuízo...
Nunca tinha prestado atenção nos ponteiros do relogio da cozinha, como eram ligeiros.
Os afazeres estavam se acumulando ao mesmo tempo em que iam com a descarga que ouvira logo de manhã.
O ócio voltava a fazer parte dela, e isso muito incomodava.
Nada fazia com que ele fosse criativo, pelo contrario...se repetia, repetia, repetia, e paralisava a ação.
Os ponteiros nao só era ligeiros, como em alguns momentos esperniavam!! Falavam alto demais, atrapalhava os momentos de nao fazer nada.
Era um jeito de suportar alguma coisa que doía.
Ao mesmo tempo em que nao se suportava o ócio.
Isso sim é que é uma produção social da não atividade, o sentimento descpnfrtavel que gera a impressao de inutilidade...inutil pois nao trabalha, nao há produto no final do processo, não há material objetivo, nem subjetivo.
"O que fizeste nos ultimos 6 dias?"
"Não sei...não me lembro"
A memória começa a se aliar ao negócio.
E então, tudo parece se aliar ao negocio... o tempo, os ponteiros, a culpa, a angustia, a memoria, o riso, a inspiração, a criatividade, a vida.
E como ela vive? Se tudo parece ser engolido desenfreadamente pela atividade incessante?
Se a solidão não cria mais sensação de auto-conhecimento? Se os sonhos parecem ficar presos à noite escura, e desaparecem do mundo quando esta acordada?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
lá do alto.
Do alto do morro havia alguém.
Observava tudo com seus olhos de águia...deixava-se ventaniar pelo ar fresco e quente que fazia ali em cima. Deixava queimar pelo sol que vinha direto e reto arder a pele clara, e ja queimada.
Do alto, havia alguém que via todos os meus passos... e cantava uma musica para cada esvoaçar de pano de saia.
Que por hora, ficava em silencio e quieto enquanto me descabelava com as coisas da vida, do céu, do agito do mar no dia em que queria uma calmaria, sem ondas...
Eu sentia que às vezes, soprava um reconforto em meus ouvidos... "você sabe aonde ir"...
E no fundo, eu sempre me lembrava...
Hoje me sussurrou algo que nao entendi... e passei o dia pensando, pensando, pensando...tentar decodificar algum simbolo sonoro..e nada me vinha à mente...
àsvezes acho que nao é palavra.
é afeto que me diz.
Mas como se sussurra afeto ao pé do ouvido sem palavras?
como se sussurra afeto pro mundo, sem precisar ser compreendido e simplesmente sentido?
às vezes a angústia é querer ficar achando nome pro vento que faz evoaçar a barra da saia.
Mas ele nao tem nome, nem direção.
É vento.
É gente.
É alguém e alguéns.
Que me olha lá de cima. silencia por muitos dias seguidos, e de repente canta coisas bonitas que às vezes só eu posso escutar.
Observava tudo com seus olhos de águia...deixava-se ventaniar pelo ar fresco e quente que fazia ali em cima. Deixava queimar pelo sol que vinha direto e reto arder a pele clara, e ja queimada.
Do alto, havia alguém que via todos os meus passos... e cantava uma musica para cada esvoaçar de pano de saia.
Que por hora, ficava em silencio e quieto enquanto me descabelava com as coisas da vida, do céu, do agito do mar no dia em que queria uma calmaria, sem ondas...
Eu sentia que às vezes, soprava um reconforto em meus ouvidos... "você sabe aonde ir"...
E no fundo, eu sempre me lembrava...
Hoje me sussurrou algo que nao entendi... e passei o dia pensando, pensando, pensando...tentar decodificar algum simbolo sonoro..e nada me vinha à mente...
àsvezes acho que nao é palavra.
é afeto que me diz.
Mas como se sussurra afeto ao pé do ouvido sem palavras?
como se sussurra afeto pro mundo, sem precisar ser compreendido e simplesmente sentido?
às vezes a angústia é querer ficar achando nome pro vento que faz evoaçar a barra da saia.
Mas ele nao tem nome, nem direção.
É vento.
É gente.
É alguém e alguéns.
Que me olha lá de cima. silencia por muitos dias seguidos, e de repente canta coisas bonitas que às vezes só eu posso escutar.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
os olhos molhados de brilho fraco...
dentro de um coletivo...
Os olhos daquele homem grisalho passeavam pelas imagens e cenas cotidianas que ficavam pra tras e por detras dos vidros da janela...
Eram olhos de quem parece ver aquele angula pela primeira vez...
De quem esta cansado e esgotado...
Uma blusa preta esquentava seu corpo, e botas pretas e grossas, os pés..
Havia um silencio no seu habitar o espaço...enquanto que homens outros faziam ruidos, com uniformes de quem esta pronto para a labuta...
Aquele nao estava...
Estava esgotado e pelo mesmo motivo, cheio de vida...cheio de fluxos...
Como fazer os fluxos pulsarem?
Fiquei de frente pra sua nuca...e apenas via os movimentos que a cabeça fazia quase ao entortar o pescoço e olhar as tais cenas que ficavam pra tras...
Os olhos molhados...
Um brilho fraco...
O corpo sereno e esgotado...
Nao estava estendido no chão, seu Chico... Mas estava estirado de pé... parecia estar com mortes de gota em gota...
Deram o sinal de parada...o som do grito de quem quer descer...
O homem se levantou, calmamente...Movimentos leves faziam-no virar de frente para mim, de costas para o motorista...
De frente...sua roupa brilhavam mais que os olhos...
Era laranja ardido...para nao perde-lo de vista..Parecia uma marca, um radar...
O corpo estava preso dentro daquele macacao...as juntas, as articulações conheciam agora um so movimento...
Era um olhar longe...livre...que voava, mas rebatia-se dentro da roupa...
E com suas limitações de sonhos, la se foi o homem dos olhos molhados de brilho fraco...
Foi esgotado...caminhando em direção ao campo de concentração de energias e forças de vida, que ficam estreitas de tanto serem estranguladas pelo tempo...
Os olhos daquele homem grisalho passeavam pelas imagens e cenas cotidianas que ficavam pra tras e por detras dos vidros da janela...
Eram olhos de quem parece ver aquele angula pela primeira vez...
De quem esta cansado e esgotado...
Uma blusa preta esquentava seu corpo, e botas pretas e grossas, os pés..
Havia um silencio no seu habitar o espaço...enquanto que homens outros faziam ruidos, com uniformes de quem esta pronto para a labuta...
Aquele nao estava...
Estava esgotado e pelo mesmo motivo, cheio de vida...cheio de fluxos...
Como fazer os fluxos pulsarem?
Fiquei de frente pra sua nuca...e apenas via os movimentos que a cabeça fazia quase ao entortar o pescoço e olhar as tais cenas que ficavam pra tras...
Os olhos molhados...
Um brilho fraco...
O corpo sereno e esgotado...
Nao estava estendido no chão, seu Chico... Mas estava estirado de pé... parecia estar com mortes de gota em gota...
Deram o sinal de parada...o som do grito de quem quer descer...
O homem se levantou, calmamente...Movimentos leves faziam-no virar de frente para mim, de costas para o motorista...
De frente...sua roupa brilhavam mais que os olhos...
Era laranja ardido...para nao perde-lo de vista..Parecia uma marca, um radar...
O corpo estava preso dentro daquele macacao...as juntas, as articulações conheciam agora um so movimento...
Era um olhar longe...livre...que voava, mas rebatia-se dentro da roupa...
E com suas limitações de sonhos, la se foi o homem dos olhos molhados de brilho fraco...
Foi esgotado...caminhando em direção ao campo de concentração de energias e forças de vida, que ficam estreitas de tanto serem estranguladas pelo tempo...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
.o que se deixa pra trás?
Deixar pra trás um sonho é uma das coisas mais difíceis dessa vida.
Você caminha, caminha...cada passo um ar que agrada, outros nem tanto. Mas tudo faz a vida ser viva..cada olhar, pedido, discussao, ligação, conversas, leituras, encontros, arte, grupos, solidão, amor, paixão, música, instrumento...
O que fazer quando resta o amor puro, mas se deve deixar pra tras? Não o amor...este permanece pro resto da vida, faz parte de como eu vejo, ouço e toco o mundo.
Mas é isso mesmo... cada vez percebo mais o movimento do poente. Da beleza unica que fica pelo tempo que precisa... não podemos parar o sol para que ele fique mais um pouco beijando o mar...
ele não fica...simplesmente vai...nos deixa pra trás...
é o seu encontro e sua despedida...
umas mais doloridas que outras...confesso.
Esta manhã senti um vazio enquanto dizia "não posso mais ficar...", fez sol...estava disposta a ir e tocar todas as musicas que viessem por 3 horas...
Mas eu precisei ir embora...
e fui.
Fica o vazio. A dúvida. O olhar de horizonte que vai longe, longe...
um nó na garganta...não pela rigidez de nunca mais poder tocar, mas pela decisão de ter que deixar algo pra trás para que outras coisas possam se realizar.
O que deixamos em nossas vidas?
encontros...de todas as maneiras e formas...
E será que é atrás?
Talvez possamos deixar pra frente. Mas não pro agora.
E o que fica pra frente, automaticamente, fica pra tras....
é.
Fiquemos assim... pois cada escolha dessa faz abrir e clarear a vida.
E novos encontros virão.
*hoje deixei de tocar violoncelo na orquestra de São Bernardo.
Você caminha, caminha...cada passo um ar que agrada, outros nem tanto. Mas tudo faz a vida ser viva..cada olhar, pedido, discussao, ligação, conversas, leituras, encontros, arte, grupos, solidão, amor, paixão, música, instrumento...
O que fazer quando resta o amor puro, mas se deve deixar pra tras? Não o amor...este permanece pro resto da vida, faz parte de como eu vejo, ouço e toco o mundo.
Mas é isso mesmo... cada vez percebo mais o movimento do poente. Da beleza unica que fica pelo tempo que precisa... não podemos parar o sol para que ele fique mais um pouco beijando o mar...
ele não fica...simplesmente vai...nos deixa pra trás...
é o seu encontro e sua despedida...
umas mais doloridas que outras...confesso.
Esta manhã senti um vazio enquanto dizia "não posso mais ficar...", fez sol...estava disposta a ir e tocar todas as musicas que viessem por 3 horas...
Mas eu precisei ir embora...
e fui.
Fica o vazio. A dúvida. O olhar de horizonte que vai longe, longe...
um nó na garganta...não pela rigidez de nunca mais poder tocar, mas pela decisão de ter que deixar algo pra trás para que outras coisas possam se realizar.
O que deixamos em nossas vidas?
encontros...de todas as maneiras e formas...
E será que é atrás?
Talvez possamos deixar pra frente. Mas não pro agora.
E o que fica pra frente, automaticamente, fica pra tras....
é.
Fiquemos assim... pois cada escolha dessa faz abrir e clarear a vida.
E novos encontros virão.
*hoje deixei de tocar violoncelo na orquestra de São Bernardo.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
.a tal da fronha.
"Deite-me no chão! E assim, refresco minha nuca desse calor infernal que acontece por aqui..."
É talvez um jeito estranho para refrescar-se...não digo nada, já que as fronhas de cetim são a melhor pedida nesses dias de sol... quando um lado esquenta, o outro está frio...pronto pra servir de consolo no meio da noite...
outro pano qualquer nao traria tamanho acolhimento para quem dorme sozinho num quarto que faz barulho...
É lisa..e pede que as unhas fiquem ali passando de um lado a outro sentindo a textura...
desde pequena gostava de sentir a textura das coisas... sim, um lado pouco desenvolvido para além dos limites da fronha de cetim...
Mas essa coisa dos lados...
Um frio, o outro quente...é tão interessante que você já sabe o que esta por vir, mas sempre se surpreende com a sensação...
Talvez o gosto seja pela surpresa...não pelo frio...mesmo que este seja a grande sensação causadora...
talvez seja o gosto pelo acolhimento que dá...
surpresa pelo acolhimento?
É...me parece uma discussão bastante contemporânea...
É talvez um jeito estranho para refrescar-se...não digo nada, já que as fronhas de cetim são a melhor pedida nesses dias de sol... quando um lado esquenta, o outro está frio...pronto pra servir de consolo no meio da noite...
outro pano qualquer nao traria tamanho acolhimento para quem dorme sozinho num quarto que faz barulho...
É lisa..e pede que as unhas fiquem ali passando de um lado a outro sentindo a textura...
desde pequena gostava de sentir a textura das coisas... sim, um lado pouco desenvolvido para além dos limites da fronha de cetim...
Mas essa coisa dos lados...
Um frio, o outro quente...é tão interessante que você já sabe o que esta por vir, mas sempre se surpreende com a sensação...
Talvez o gosto seja pela surpresa...não pelo frio...mesmo que este seja a grande sensação causadora...
talvez seja o gosto pelo acolhimento que dá...
surpresa pelo acolhimento?
É...me parece uma discussão bastante contemporânea...
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
uma vila...
Era como uma cidade afastada...
Havia árvores, campos de futebol, casas comunitárias que lembravam chalés, piscina...
Pessoas que nunca tinha visto. Mas que pareciam ser conhecidas...Jogávamos tranca, quando achavam o baralho. Ao tocar no baralho da casa, alguns ja alertavam: "cuidado, este não pode pegar!"
E eu pensava, "mas quem são eles?" Nunca apareciam....
De repente foram chegando familiares e amigos, que ficaram lá um tempo...mas logo se foram...
E eu ainda me perguntava: "onde estou?"
Sobrou eu e minha irmã, em meio à outras mulheres vestidas de biquinis e maiôs...e alguns homens...que iam chegando aos poucos...
Desses novos eu me aproximei...ninguem falava com eles... puxamos o papo do baralho quando nos disseram que os donos nao gostavam que pegasse o baralho deles.
Olhamo-nos nos olhos um do outro, com a mesma interrogação no rosto! E aí me conectei a ele.
Buscava outros olhares assim, encontrei mais um.
Nao sei seus nomes...mas ficamos proximos...e era isso que importava.
Numa noite, a névoa abaixou...eu ja estava acostumada ao lugar e algumas regras que vinham sabe-se lá de onde!
Olhei o campo, em que estavam os meninos jogando bola (considerando senhores tb)....
Eles estavam lá, certamente.... E caminhei, no escuro, até o campo....
Vi um jogo estranho, em que algun senhores de cadeira de rodas entravam no meio do jogo....um deles era parecido com Robin Wilians...empurrei sua cadeira, e puxei conversa...
Mas em portugues nao fluia muito...arrisquei meu ingles mal acabado...
E ele se assustou que havia alguem na "vila" se assim pode-se dizer, que falava ingles...
Paramos assim que encontrei os meninos sentados embaixo da arvore,proxima ao campo...
eles estavam tristes...me aproximei...
o de cabelos compridos me olhou...sério... e disse "eu estava passando na sala...estava tendo uma reuniao nao sei com quem...diziam que queriam levar alguns de nós aos nazistas...depois pensaram, e ao inves disso, cortariam nossos cabelos, pra ver todas as marcas que temos no corpo..."
Me assustei...e nesse momento, chegaram dois homens, jovens ainda...com um riso de quem sabe quem vai morrer e esta gostando...
Eles sabiam que tinhamos percebido...e achavam que nao havia nada a fazer...
Lá eu sabia onde estava, e que o que fazer...
quando abri os olhos, so me vinham essas lembranças... e a sensação de que eu era duas...
Havia árvores, campos de futebol, casas comunitárias que lembravam chalés, piscina...
Pessoas que nunca tinha visto. Mas que pareciam ser conhecidas...Jogávamos tranca, quando achavam o baralho. Ao tocar no baralho da casa, alguns ja alertavam: "cuidado, este não pode pegar!"
E eu pensava, "mas quem são eles?" Nunca apareciam....
De repente foram chegando familiares e amigos, que ficaram lá um tempo...mas logo se foram...
E eu ainda me perguntava: "onde estou?"
Sobrou eu e minha irmã, em meio à outras mulheres vestidas de biquinis e maiôs...e alguns homens...que iam chegando aos poucos...
Desses novos eu me aproximei...ninguem falava com eles... puxamos o papo do baralho quando nos disseram que os donos nao gostavam que pegasse o baralho deles.
Olhamo-nos nos olhos um do outro, com a mesma interrogação no rosto! E aí me conectei a ele.
Buscava outros olhares assim, encontrei mais um.
Nao sei seus nomes...mas ficamos proximos...e era isso que importava.
Numa noite, a névoa abaixou...eu ja estava acostumada ao lugar e algumas regras que vinham sabe-se lá de onde!
Olhei o campo, em que estavam os meninos jogando bola (considerando senhores tb)....
Eles estavam lá, certamente.... E caminhei, no escuro, até o campo....
Vi um jogo estranho, em que algun senhores de cadeira de rodas entravam no meio do jogo....um deles era parecido com Robin Wilians...empurrei sua cadeira, e puxei conversa...
Mas em portugues nao fluia muito...arrisquei meu ingles mal acabado...
E ele se assustou que havia alguem na "vila" se assim pode-se dizer, que falava ingles...
Paramos assim que encontrei os meninos sentados embaixo da arvore,proxima ao campo...
eles estavam tristes...me aproximei...
o de cabelos compridos me olhou...sério... e disse "eu estava passando na sala...estava tendo uma reuniao nao sei com quem...diziam que queriam levar alguns de nós aos nazistas...depois pensaram, e ao inves disso, cortariam nossos cabelos, pra ver todas as marcas que temos no corpo..."
Me assustei...e nesse momento, chegaram dois homens, jovens ainda...com um riso de quem sabe quem vai morrer e esta gostando...
Eles sabiam que tinhamos percebido...e achavam que nao havia nada a fazer...
Lá eu sabia onde estava, e que o que fazer...
quando abri os olhos, so me vinham essas lembranças... e a sensação de que eu era duas...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
assimetria..
muitos confudem os olhos de nomadismo com uma falta de cumplicidade.
Andei pensando esses tempos sobre pq o incomodo em ver que o outro passeia e transita a todo momento, mesmo quando a cumplicidade nao é questionada?
O medo do frágil...parece que algo que transita é fragil demais...e isso deve dar medo como quem pisa em ovos. Afinal, quem quer viver com a angústia de ser deixado a qualquer momento?
E o mais cruel, é que nunca sabemos.
De um minuto pro outro, algo que nao parecia tao fragil para um, tornou-se uma miragem...e o que era fragil pro outro, em pedaços.
Ao mesmo tempo que aquela musica de Miles Davis continua a tocar cada vez mais em alto e bom som! E esses laços vão se entrelaçando cada minuto mais...
Como pode!
Em uma paisagem há um desentrelaçar, um incomodo, um jogo de olhos e afetos soltos...em outra há o fortalecimento de um no outro, como se passássemos a habitar-nos.
Aquele jogo de cores em que toda escolha e tempo e momento muda os tons afetando de pouco em pouco cada sentido da vida...
Parece-me que ela é isso mesmo...grandes encontros, algumas despedidas, mas para quem percebe a sintonia além dos corpos, não é o ser quem se despede...ele somente deixa de habitar de uma maneira, e passa a habitar de outra... para quem a sintonia realmente é verdadeira, esse habitar nunca deixa de existir...
Aprendo a viver com a assimetria nossa de cada dia....
Andei pensando esses tempos sobre pq o incomodo em ver que o outro passeia e transita a todo momento, mesmo quando a cumplicidade nao é questionada?
O medo do frágil...parece que algo que transita é fragil demais...e isso deve dar medo como quem pisa em ovos. Afinal, quem quer viver com a angústia de ser deixado a qualquer momento?
E o mais cruel, é que nunca sabemos.
De um minuto pro outro, algo que nao parecia tao fragil para um, tornou-se uma miragem...e o que era fragil pro outro, em pedaços.
Ao mesmo tempo que aquela musica de Miles Davis continua a tocar cada vez mais em alto e bom som! E esses laços vão se entrelaçando cada minuto mais...
Como pode!
Em uma paisagem há um desentrelaçar, um incomodo, um jogo de olhos e afetos soltos...em outra há o fortalecimento de um no outro, como se passássemos a habitar-nos.
Aquele jogo de cores em que toda escolha e tempo e momento muda os tons afetando de pouco em pouco cada sentido da vida...
Parece-me que ela é isso mesmo...grandes encontros, algumas despedidas, mas para quem percebe a sintonia além dos corpos, não é o ser quem se despede...ele somente deixa de habitar de uma maneira, e passa a habitar de outra... para quem a sintonia realmente é verdadeira, esse habitar nunca deixa de existir...
Aprendo a viver com a assimetria nossa de cada dia....
terça-feira, 29 de setembro de 2009
que é isso?
"é como uma sensação aguda que causa mal-estar."
Seria essa uma boa definição do que é dor naquele momento?
Logo após uma reflexão a respeito de uma resposta minha a um teste projetivo. Essa foi a pergunta que me fizeram, e eu tive de responder o que me vinha a mente, afinal, falar "não sei" não me parecia cabivel... eu devo saber..em alguma medida, em alguma experiencia.
E porque tão dificil falar em palavras que passam pela consciencia, linguagem, significados? A ordem do afeto diz por si. Expressa-se por si, vezes numa catarse... mas tem horas que precisamos falar e universalizar o que sentimos.
Assim nos fazemos reconheciveis uns para os outros...borramos a linha entre "eu e você."..nos identificamos, afinal, sentimos algo parecido.
Humanos sentem dores parecidas, criam repertorio para ela, para sua definicação, bem como para o amor, o tempo, a pausa, o silêncio, o choro, a tristeza.
Tudo vem carregado de nós e do mundo de séculos, e séculos...
Uma dor que pode afetar a garganta, paralisar a voz, a vontade de chorar, apertando o nó bem dado. Pode afetar o estomago, o peito, o pulmão...a falta de ar.
Pode afetar o que somos...como vemos o mundo...como lidamos com ele.
Uma perda antecipada e senil, faz sentir dor. daquelas que nos movem ao desconhecido em nós...ou que nos faz ficar estáticos, olhando tudo que diz ter vida e questionando-nos quanto ao sentido de tudo aquilo.
Uma dor pode ser poderosa,ameaçadora, criativa, dócil e bruta. Tudo ao mesmo tempo!
Aplaudir até sentido dor, dizem que é amor.
Seria ela a tinta com que se borra o normal e o patológico? A moeda com que se pagam ações nao aceitas? A vingança dos Deuses? o limite de sobrevivencia? Um aviso ao corpo humano de algo nao funciona bem? A sensação aguda que causa mal - estar?
O que seria dor, afinal?
Foi o que me perguntaram...
Seria essa uma boa definição do que é dor naquele momento?
Logo após uma reflexão a respeito de uma resposta minha a um teste projetivo. Essa foi a pergunta que me fizeram, e eu tive de responder o que me vinha a mente, afinal, falar "não sei" não me parecia cabivel... eu devo saber..em alguma medida, em alguma experiencia.
E porque tão dificil falar em palavras que passam pela consciencia, linguagem, significados? A ordem do afeto diz por si. Expressa-se por si, vezes numa catarse... mas tem horas que precisamos falar e universalizar o que sentimos.
Assim nos fazemos reconheciveis uns para os outros...borramos a linha entre "eu e você."..nos identificamos, afinal, sentimos algo parecido.
Humanos sentem dores parecidas, criam repertorio para ela, para sua definicação, bem como para o amor, o tempo, a pausa, o silêncio, o choro, a tristeza.
Tudo vem carregado de nós e do mundo de séculos, e séculos...
Uma dor que pode afetar a garganta, paralisar a voz, a vontade de chorar, apertando o nó bem dado. Pode afetar o estomago, o peito, o pulmão...a falta de ar.
Pode afetar o que somos...como vemos o mundo...como lidamos com ele.
Uma perda antecipada e senil, faz sentir dor. daquelas que nos movem ao desconhecido em nós...ou que nos faz ficar estáticos, olhando tudo que diz ter vida e questionando-nos quanto ao sentido de tudo aquilo.
Uma dor pode ser poderosa,ameaçadora, criativa, dócil e bruta. Tudo ao mesmo tempo!
Aplaudir até sentido dor, dizem que é amor.
Seria ela a tinta com que se borra o normal e o patológico? A moeda com que se pagam ações nao aceitas? A vingança dos Deuses? o limite de sobrevivencia? Um aviso ao corpo humano de algo nao funciona bem? A sensação aguda que causa mal - estar?
O que seria dor, afinal?
Foi o que me perguntaram...
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