segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

.a tal da fronha.

"Deite-me no chão! E assim, refresco minha nuca desse calor infernal que acontece por aqui..."

É talvez um jeito estranho para refrescar-se...não digo nada, já que as fronhas de cetim são a melhor pedida nesses dias de sol... quando um lado esquenta, o outro está frio...pronto pra servir de consolo no meio da noite...
outro pano qualquer nao traria tamanho acolhimento para quem dorme sozinho num quarto que faz barulho...
É lisa..e pede que as unhas fiquem ali passando de um lado a outro sentindo a textura...
desde pequena gostava de sentir a textura das coisas... sim, um lado pouco desenvolvido para além dos limites da fronha de cetim...
Mas essa coisa dos lados...
Um frio, o outro quente...é tão interessante que você já sabe o que esta por vir, mas sempre se surpreende com a sensação...
Talvez o gosto seja pela surpresa...não pelo frio...mesmo que este seja a grande sensação causadora...
talvez seja o gosto pelo acolhimento que dá...
surpresa pelo acolhimento?

É...me parece uma discussão bastante contemporânea...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

uma vila...

Era como uma cidade afastada...
Havia árvores, campos de futebol, casas comunitárias que lembravam chalés, piscina...
Pessoas que nunca tinha visto. Mas que pareciam ser conhecidas...Jogávamos tranca, quando achavam o baralho. Ao tocar no baralho da casa, alguns ja alertavam: "cuidado, este não pode pegar!"
E eu pensava, "mas quem são eles?" Nunca apareciam....
De repente foram chegando familiares e amigos, que ficaram lá um tempo...mas logo se foram...
E eu ainda me perguntava: "onde estou?"
Sobrou eu e minha irmã, em meio à outras mulheres vestidas de biquinis e maiôs...e alguns homens...que iam chegando aos poucos...
Desses novos eu me aproximei...ninguem falava com eles... puxamos o papo do baralho quando nos disseram que os donos nao gostavam que pegasse o baralho deles.
Olhamo-nos nos olhos um do outro, com a mesma interrogação no rosto! E aí me conectei a ele.
Buscava outros olhares assim, encontrei mais um.
Nao sei seus nomes...mas ficamos proximos...e era isso que importava.
Numa noite, a névoa abaixou...eu ja estava acostumada ao lugar e algumas regras que vinham sabe-se lá de onde!
Olhei o campo, em que estavam os meninos jogando bola (considerando senhores tb)....
Eles estavam lá, certamente.... E caminhei, no escuro, até o campo....
Vi um jogo estranho, em que algun senhores de cadeira de rodas entravam no meio do jogo....um deles era parecido com Robin Wilians...empurrei sua cadeira, e puxei conversa...
Mas em portugues nao fluia muito...arrisquei meu ingles mal acabado...
E ele se assustou que havia alguem na "vila" se assim pode-se dizer, que falava ingles...
Paramos assim que encontrei os meninos sentados embaixo da arvore,proxima ao campo...
eles estavam tristes...me aproximei...
o de cabelos compridos me olhou...sério... e disse "eu estava passando na sala...estava tendo uma reuniao nao sei com quem...diziam que queriam levar alguns de nós aos nazistas...depois pensaram, e ao inves disso, cortariam nossos cabelos, pra ver todas as marcas que temos no corpo..."
Me assustei...e nesse momento, chegaram dois homens, jovens ainda...com um riso de quem sabe quem vai morrer e esta gostando...
Eles sabiam que tinhamos percebido...e achavam que nao havia nada a fazer...
Lá eu sabia onde estava, e que o que fazer...
quando abri os olhos, so me vinham essas lembranças... e a sensação de que eu era duas...