ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
E que os temores iam sempre com as chuvas...
O que é que há com essa gente toda?
Que corre das gotas pra nao se molhar
Onde é que tá o gosto em gostar da tempestade, de chorar?
de manha cedo a lua vem se despedir de mim...
Vai com voce embora, ora, já era a hora de ser assim
O que é que há com a gente quando quer ficar aqui?
Mas vai correndo embora. Ora, nao era a hora de partir...
Abre essa porta pra berrar de tanto gargalhar, rolar, chorar de rir.
Vem cá cantalorar, me afagar pra ir dormir...
Ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
Alguém roubou o amor que tinha cultivado só pra si.
Fiquei sem pressa de esperar as águas soltas
que brincam de escorrer em nós
quem sabe um dia volta pra me ver passar
e se descole desse céu de mar para aqui ficar, me mergulhar...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
ao som de cantoluna - song from a secret garden
Os passos caminham trêmulos.
Pisam o chão com uma nitidez obscura, como quem não sabe se pisa em terra, areia ou água.
Por fim, era terra. Areia. E água.
Que manchavam os dedos da sua cor preferida, e deixava marcas pra trás...
Manchar os pés não é tão ruim... deixar marcas também não.
Podem saber o caminho que percorro...as horas que paro, me demoro, outras em que danço ou corro.
Podem saber tudo pelas marcas que ficam. Os passos trêmulos. Os passos longos. Outros ligeiros...
Ás vezes me deito na terra...e giro com ela.
Mancho o corpo todo.
Deixo marcas no chão.
Marcas que ficam, e se demoram...
Se demoram...
Se demoram...
Me levanto.
Saio da cena.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
outra frequencia.
Um olhar pro vento que entra nos cômodos da casa. Antes, um frio, um incomodo. Hoje, uma brisa que chega para dar bom dia...
Dantes, algumas subidas no morro seriam suficientes pra fazer o ar parar de entrar...hoje apenas algumas cócegas inocentes de que se ama, já o fazem...
Aquela boneca que estava guardada por trazer lembranças lindas e infinitas da infancia na casa da vó, hoje não é mais necessária para que se fixe no armário de memorias, momentos como aqueles...
Perder o sentido tem muitos sentidos.
A vida às vezes perde seu sentido, e nos faz inventar outros... E quem estava nos acompanhando naquels estrada, se nao olhar pra onde damos a seta, nao saberá nosso caminho...
Mas podemos nos falar de longe, hoje existem as tecnologias...
Antes elas faziam sentido para a comunicação...Hoje, nao preciso mais delas. Conecto-me com minha irmã em pensamento, em vibração com o mundo.
Conecto-me com o mundo e seus artistas incessantes pela vida, e a frequencia em que ela vibra...
Há quem viva isso. Há quem compreenda. Há quem nao queira participar deste encontro...
E tudo bem, afinal, as frequencias sao multiplas!
E viva a diversidade humana, emocional, intelectual, vital, corporal, sexual, natural!
Viva a diferença...e viva sempre em nossos corpos...
Antes, perder o sentido fazia ter medo. Era ruim. Era grande e imenso.
Hoje, é isso mesmo...um exercício para quem está vivo...
O desapego é sempre um apego a outros modos de relação...
Deixar a paz entrar...não precisa fazer barulho pra se ter uma festa!
Posso ser a festa, o quanto e quando quiser....
Ser sério e feliz. Querer rir de outras coisas. Querer viver outras danças. Falar outra lingua, outro sotaque. Vibrar em outra frequencia...
Antes um parto dificil, hoje, um momento a ser degustado com todos os sabores...
A isso?
Eu chamo amor.
Dantes, algumas subidas no morro seriam suficientes pra fazer o ar parar de entrar...hoje apenas algumas cócegas inocentes de que se ama, já o fazem...
Aquela boneca que estava guardada por trazer lembranças lindas e infinitas da infancia na casa da vó, hoje não é mais necessária para que se fixe no armário de memorias, momentos como aqueles...
Perder o sentido tem muitos sentidos.
A vida às vezes perde seu sentido, e nos faz inventar outros... E quem estava nos acompanhando naquels estrada, se nao olhar pra onde damos a seta, nao saberá nosso caminho...
Mas podemos nos falar de longe, hoje existem as tecnologias...
Antes elas faziam sentido para a comunicação...Hoje, nao preciso mais delas. Conecto-me com minha irmã em pensamento, em vibração com o mundo.
Conecto-me com o mundo e seus artistas incessantes pela vida, e a frequencia em que ela vibra...
Há quem viva isso. Há quem compreenda. Há quem nao queira participar deste encontro...
E tudo bem, afinal, as frequencias sao multiplas!
E viva a diversidade humana, emocional, intelectual, vital, corporal, sexual, natural!
Viva a diferença...e viva sempre em nossos corpos...
Antes, perder o sentido fazia ter medo. Era ruim. Era grande e imenso.
Hoje, é isso mesmo...um exercício para quem está vivo...
O desapego é sempre um apego a outros modos de relação...
Deixar a paz entrar...não precisa fazer barulho pra se ter uma festa!
Posso ser a festa, o quanto e quando quiser....
Ser sério e feliz. Querer rir de outras coisas. Querer viver outras danças. Falar outra lingua, outro sotaque. Vibrar em outra frequencia...
Antes um parto dificil, hoje, um momento a ser degustado com todos os sabores...
A isso?
Eu chamo amor.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O galego.
Um passo rápido me mantinha ereta para atravessar a rua e chegar à calçada.
A companhia era agradável de alguem que compartilha comigo as delicias e dores a convivencia, da divisão de espaço, sala, banheiro, contas de luz e sem contas de telefone.
O assunto? Algo trivial, como entender onde era o mercado que já ouvira falar. Por onde pisar pra nao encostar nos cocôs de cachorro pelo chão. Nesses olhares pro chão os encontrei.
Eram olhos de diamante, da cor do mar quando 14 bis o canta. Cabelos louros, pele morena de sol.
Jovem.
Muito jovem.
Estava sentado na sarjeta olhando pro horizonte que parecia existir pra ele naquele momento.
Olhar de horizonte. Belo.
Cruzamos os olhares e desviamos.
Olhei de novo.
As roupas em farrapos.
Trapos.
Não sabia a cor, já que tudo estava em tons de marrom e cinza.
Quem era aquele homem? O que teus olhos miravam?
Mil pessoas passavam por ele e desapercebiam-no.
Imagino que ninguém conheceria sua narrativa e quem sabe, isso não aconteça nunca.
às vezes nos permitimos apenas ver, nos afetar, gerar encontros silenciosos, mas não sair disso.
A companhia era agradável de alguem que compartilha comigo as delicias e dores a convivencia, da divisão de espaço, sala, banheiro, contas de luz e sem contas de telefone.
O assunto? Algo trivial, como entender onde era o mercado que já ouvira falar. Por onde pisar pra nao encostar nos cocôs de cachorro pelo chão. Nesses olhares pro chão os encontrei.
Eram olhos de diamante, da cor do mar quando 14 bis o canta. Cabelos louros, pele morena de sol.
Jovem.
Muito jovem.
Estava sentado na sarjeta olhando pro horizonte que parecia existir pra ele naquele momento.
Olhar de horizonte. Belo.
Cruzamos os olhares e desviamos.
Olhei de novo.
As roupas em farrapos.
Trapos.
Não sabia a cor, já que tudo estava em tons de marrom e cinza.
Quem era aquele homem? O que teus olhos miravam?
Mil pessoas passavam por ele e desapercebiam-no.
Imagino que ninguém conheceria sua narrativa e quem sabe, isso não aconteça nunca.
às vezes nos permitimos apenas ver, nos afetar, gerar encontros silenciosos, mas não sair disso.
sábado, 13 de novembro de 2010
aquele do toldo azul.
Mal chegara no ponto de onibus estava ali, sonhando debaixo do cobertor preto e vermelho que já parecia úmido da garoa mareada.
Um tempo depois, acordou. Levantou a cabeça, como quem está vendo mas não está enxergando, nem a rua, nem as pessoas, nem o movimento. Passeo como se fingisse não vê-lo, mas não consegui disfarçar.
Os olhos se cruzaram, e logo desviaram para não serem notados. Mas foram.
Percebi que me observava, em meio às tosses que pareciam cuspir a alma. Não se importava me tossir alto, em gritar que estava ali, era o seu jeito de se fazer notar.
Voltou a se deitar. E eu, procurando o coletivo que ja se demorava. Procurava sabendo que queria ficar ali mais um pouco. E aí, lembrei-me que guardava 2 pães na mochila ja estufada. Na hora de comprar, um a mais, que nunca havia comprado. Parecia que alguem sabia que ele iria saciar outras fomes. Pensei em oferece-lo. Não pela fome que parecia atordoa-lo, mas pela janela que se abriria para um encontro. Ensaiei. Me demorei. Peguei o saco. Mantive fechado, segurando o cheiro de massa fresca ali dentro.
Ele tossia. Deitara-se de novo. Após um respiro profundo, e olhos semiabertos para chegar mais perto, vozes altas cortaram o fluxo.
Dois homens chegaram falando alto, soltando fumaça pela boca. Falavam de trabalho e casa. Não pareciam companheiros da rua.
Não larguei o saco de pão. não larguei a ideia de compartilhar substancia de vida. Mas as pernas nao saíam do lugar. Os afetos circulavam no peito, fazia força pra sair, mas nao encontraram saída, nem criaram passagem. O letreiro iluminava meus olhos fracos pela imobilidade.
Cada vez mais. Cada vez mais perto. Levantei os braços. enquanto segurava a mala, o saco de pão, o cheiro, a palavra, o encontro, o fracasso por nao ter compartilhado nada além de incomodos e breves olhares.
às vezes a indiferença é intensidade disfarçada.
Um tempo depois, acordou. Levantou a cabeça, como quem está vendo mas não está enxergando, nem a rua, nem as pessoas, nem o movimento. Passeo como se fingisse não vê-lo, mas não consegui disfarçar.
Os olhos se cruzaram, e logo desviaram para não serem notados. Mas foram.
Percebi que me observava, em meio às tosses que pareciam cuspir a alma. Não se importava me tossir alto, em gritar que estava ali, era o seu jeito de se fazer notar.
Voltou a se deitar. E eu, procurando o coletivo que ja se demorava. Procurava sabendo que queria ficar ali mais um pouco. E aí, lembrei-me que guardava 2 pães na mochila ja estufada. Na hora de comprar, um a mais, que nunca havia comprado. Parecia que alguem sabia que ele iria saciar outras fomes. Pensei em oferece-lo. Não pela fome que parecia atordoa-lo, mas pela janela que se abriria para um encontro. Ensaiei. Me demorei. Peguei o saco. Mantive fechado, segurando o cheiro de massa fresca ali dentro.
Ele tossia. Deitara-se de novo. Após um respiro profundo, e olhos semiabertos para chegar mais perto, vozes altas cortaram o fluxo.
Dois homens chegaram falando alto, soltando fumaça pela boca. Falavam de trabalho e casa. Não pareciam companheiros da rua.
Não larguei o saco de pão. não larguei a ideia de compartilhar substancia de vida. Mas as pernas nao saíam do lugar. Os afetos circulavam no peito, fazia força pra sair, mas nao encontraram saída, nem criaram passagem. O letreiro iluminava meus olhos fracos pela imobilidade.
Cada vez mais. Cada vez mais perto. Levantei os braços. enquanto segurava a mala, o saco de pão, o cheiro, a palavra, o encontro, o fracasso por nao ter compartilhado nada além de incomodos e breves olhares.
às vezes a indiferença é intensidade disfarçada.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
ocividade.
Em vez de acordar cedo, levanta o corpo depois da hora marcada.
A música do primeiro cumprimento do dia nao tocou hoje, e o sonho quis um tempo maior para correr atras do prejuízo...
Nunca tinha prestado atenção nos ponteiros do relogio da cozinha, como eram ligeiros.
Os afazeres estavam se acumulando ao mesmo tempo em que iam com a descarga que ouvira logo de manhã.
O ócio voltava a fazer parte dela, e isso muito incomodava.
Nada fazia com que ele fosse criativo, pelo contrario...se repetia, repetia, repetia, e paralisava a ação.
Os ponteiros nao só era ligeiros, como em alguns momentos esperniavam!! Falavam alto demais, atrapalhava os momentos de nao fazer nada.
Era um jeito de suportar alguma coisa que doía.
Ao mesmo tempo em que nao se suportava o ócio.
Isso sim é que é uma produção social da não atividade, o sentimento descpnfrtavel que gera a impressao de inutilidade...inutil pois nao trabalha, nao há produto no final do processo, não há material objetivo, nem subjetivo.
"O que fizeste nos ultimos 6 dias?"
"Não sei...não me lembro"
A memória começa a se aliar ao negócio.
E então, tudo parece se aliar ao negocio... o tempo, os ponteiros, a culpa, a angustia, a memoria, o riso, a inspiração, a criatividade, a vida.
E como ela vive? Se tudo parece ser engolido desenfreadamente pela atividade incessante?
Se a solidão não cria mais sensação de auto-conhecimento? Se os sonhos parecem ficar presos à noite escura, e desaparecem do mundo quando esta acordada?
A música do primeiro cumprimento do dia nao tocou hoje, e o sonho quis um tempo maior para correr atras do prejuízo...
Nunca tinha prestado atenção nos ponteiros do relogio da cozinha, como eram ligeiros.
Os afazeres estavam se acumulando ao mesmo tempo em que iam com a descarga que ouvira logo de manhã.
O ócio voltava a fazer parte dela, e isso muito incomodava.
Nada fazia com que ele fosse criativo, pelo contrario...se repetia, repetia, repetia, e paralisava a ação.
Os ponteiros nao só era ligeiros, como em alguns momentos esperniavam!! Falavam alto demais, atrapalhava os momentos de nao fazer nada.
Era um jeito de suportar alguma coisa que doía.
Ao mesmo tempo em que nao se suportava o ócio.
Isso sim é que é uma produção social da não atividade, o sentimento descpnfrtavel que gera a impressao de inutilidade...inutil pois nao trabalha, nao há produto no final do processo, não há material objetivo, nem subjetivo.
"O que fizeste nos ultimos 6 dias?"
"Não sei...não me lembro"
A memória começa a se aliar ao negócio.
E então, tudo parece se aliar ao negocio... o tempo, os ponteiros, a culpa, a angustia, a memoria, o riso, a inspiração, a criatividade, a vida.
E como ela vive? Se tudo parece ser engolido desenfreadamente pela atividade incessante?
Se a solidão não cria mais sensação de auto-conhecimento? Se os sonhos parecem ficar presos à noite escura, e desaparecem do mundo quando esta acordada?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
lá do alto.
Do alto do morro havia alguém.
Observava tudo com seus olhos de águia...deixava-se ventaniar pelo ar fresco e quente que fazia ali em cima. Deixava queimar pelo sol que vinha direto e reto arder a pele clara, e ja queimada.
Do alto, havia alguém que via todos os meus passos... e cantava uma musica para cada esvoaçar de pano de saia.
Que por hora, ficava em silencio e quieto enquanto me descabelava com as coisas da vida, do céu, do agito do mar no dia em que queria uma calmaria, sem ondas...
Eu sentia que às vezes, soprava um reconforto em meus ouvidos... "você sabe aonde ir"...
E no fundo, eu sempre me lembrava...
Hoje me sussurrou algo que nao entendi... e passei o dia pensando, pensando, pensando...tentar decodificar algum simbolo sonoro..e nada me vinha à mente...
àsvezes acho que nao é palavra.
é afeto que me diz.
Mas como se sussurra afeto ao pé do ouvido sem palavras?
como se sussurra afeto pro mundo, sem precisar ser compreendido e simplesmente sentido?
às vezes a angústia é querer ficar achando nome pro vento que faz evoaçar a barra da saia.
Mas ele nao tem nome, nem direção.
É vento.
É gente.
É alguém e alguéns.
Que me olha lá de cima. silencia por muitos dias seguidos, e de repente canta coisas bonitas que às vezes só eu posso escutar.
Observava tudo com seus olhos de águia...deixava-se ventaniar pelo ar fresco e quente que fazia ali em cima. Deixava queimar pelo sol que vinha direto e reto arder a pele clara, e ja queimada.
Do alto, havia alguém que via todos os meus passos... e cantava uma musica para cada esvoaçar de pano de saia.
Que por hora, ficava em silencio e quieto enquanto me descabelava com as coisas da vida, do céu, do agito do mar no dia em que queria uma calmaria, sem ondas...
Eu sentia que às vezes, soprava um reconforto em meus ouvidos... "você sabe aonde ir"...
E no fundo, eu sempre me lembrava...
Hoje me sussurrou algo que nao entendi... e passei o dia pensando, pensando, pensando...tentar decodificar algum simbolo sonoro..e nada me vinha à mente...
àsvezes acho que nao é palavra.
é afeto que me diz.
Mas como se sussurra afeto ao pé do ouvido sem palavras?
como se sussurra afeto pro mundo, sem precisar ser compreendido e simplesmente sentido?
às vezes a angústia é querer ficar achando nome pro vento que faz evoaçar a barra da saia.
Mas ele nao tem nome, nem direção.
É vento.
É gente.
É alguém e alguéns.
Que me olha lá de cima. silencia por muitos dias seguidos, e de repente canta coisas bonitas que às vezes só eu posso escutar.
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