domingo, 6 de janeiro de 2013

os instantes das sílabas.

um fluxo que se perde em meio a tantos instantes.
por hora achava que não saberia o que dizer a ele. De repente, cada sílaba se disse por si. Saiam como quem vai pra uma festa de gala, de havaianas. Interessadas em sentirem-se confortáveis e belas.
Ficavam assim, rodopiando juntas e separadas... fugiam. Voltavam.
E a cada volta, um reencontro aliviado...afinal, os instantes criativos daquelas pequeninas silabas voltavam a se reconhecer...
Era um tempo grande que se ficava longe delas. Um tempo doído, dificil, mas que faz parte dos instantes tantos que se perdem nas sílabas.
Quem disse que há aviso pra não saber quem se perde aonde, quando e porque?
Quem se perde em instantes, por instantes, com instantes... as sílabas fazem-nos perder tanto. e rir tanto.
que falar e perder vira quase um beijo de cabeça pra baixo...
parece que a festa tem sido boa! com instantes belos e sílabas confortavelmente instigantes.

memória.


Um buraco que fica na memória
É a gente que passa bem mais devagar
É a vida que arde, é tarde pra agüentar
É o tranco sereno de ir embora

Uma presa que fica na teia de lá
Se debate, rebate, só fica
Se cansou de virar uma mosca
Quer ser só uma moça que pode lembrar

Vou olhar bem pro alto e te imaginar
Com os olhos aguando só de alegria
Cada ida é um tempo da gente parar
E se ouvir com mais vez, silenciar

Um buraco que fica na passagem
Nessa coisa de corpo que às vezes grita
O desenho que faz eu te balbuciar
Um sorriso esboçado que quase se apaga

Borboleta que corre de dia a orar
Uma prece da pressa que tem em viver
E ela voa tão calma que dá pra mirar
E pausar essa vida que a alma agita

Vou olhar bem pro alto e te imaginar
Com os olhos aguando só de alegria
Cada ida é um tempo da gente parar
E se ouvir com mais vez, silenciar


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

colado em céu.

ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
E que os temores iam sempre com as chuvas...

O que é que há com essa gente toda?
Que corre das gotas pra nao se molhar
Onde é que tá o gosto em gostar da tempestade, de chorar?

de manha cedo a lua vem se despedir de mim...
Vai com voce embora, ora, já era a hora de ser assim

O que é que há com a gente quando quer ficar aqui?
Mas vai correndo embora. Ora, nao era a hora de partir...

Abre essa porta pra berrar de tanto gargalhar, rolar, chorar de rir.
Vem cá cantalorar, me afagar pra ir dormir...

Ouvi dizer que a madrugada era tua, somente tua...
Alguém roubou o amor que tinha cultivado só pra si.

Fiquei sem pressa de esperar as águas soltas
que brincam de escorrer em nós
quem sabe um dia volta pra me ver passar
e se descole desse céu de mar para aqui ficar, me mergulhar...

domingo, 30 de janeiro de 2011

ao som de cantoluna - song from a secret garden

Os passos caminham trêmulos.

Pisam o chão com uma nitidez obscura, como quem não sabe se pisa em terra, areia ou água.

Por fim, era terra. Areia. E água.

Que manchavam os dedos da sua cor preferida, e deixava marcas pra trás...

Manchar os pés não é tão ruim... deixar marcas também não.

Podem saber o caminho que percorro...as horas que paro, me demoro, outras em que danço ou corro.

Podem saber tudo pelas marcas que ficam. Os passos trêmulos. Os passos longos. Outros ligeiros...

Ás vezes me deito na terra...e giro com ela.

Mancho o corpo todo.

Deixo marcas no chão.

Marcas que ficam, e se demoram...

Se demoram...

Se demoram...

Me levanto.

Saio da cena.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

outra frequencia.

Um olhar pro vento que entra nos cômodos da casa. Antes, um frio, um incomodo. Hoje, uma brisa que chega para dar bom dia...
Dantes, algumas subidas no morro seriam suficientes pra fazer o ar parar de entrar...hoje apenas algumas cócegas inocentes de que se ama, já o fazem...
Aquela boneca que estava guardada por trazer lembranças lindas e infinitas da infancia na casa da vó, hoje não é mais necessária para que se fixe no armário de memorias, momentos como aqueles...
Perder o sentido tem muitos sentidos.
A vida às vezes perde seu sentido, e nos faz inventar outros... E quem estava nos acompanhando naquels estrada, se nao olhar pra onde damos a seta, nao saberá nosso caminho...
Mas podemos nos falar de longe, hoje existem as tecnologias...
Antes elas faziam sentido para a comunicação...Hoje, nao preciso mais delas. Conecto-me com minha irmã em pensamento, em vibração com o mundo.
Conecto-me com o mundo e seus artistas incessantes pela vida, e a frequencia em que ela vibra...
Há quem viva isso. Há quem compreenda. Há quem nao queira participar deste encontro...
E tudo bem, afinal, as frequencias sao multiplas!
E viva a diversidade humana, emocional, intelectual, vital, corporal, sexual, natural!
Viva a diferença...e viva sempre em nossos corpos...
Antes, perder o sentido fazia ter medo. Era ruim. Era grande e imenso.
Hoje, é isso mesmo...um exercício para quem está vivo...
O desapego é sempre um apego a outros modos de relação...
Deixar a paz entrar...não precisa fazer barulho pra se ter uma festa!
Posso ser a festa, o quanto e quando quiser....
Ser sério e feliz. Querer rir de outras coisas. Querer viver outras danças. Falar outra lingua, outro sotaque. Vibrar em outra frequencia...
Antes um parto dificil, hoje, um momento a ser degustado com todos os sabores...
A isso?
Eu chamo amor.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O galego.

Um passo rápido me mantinha ereta para atravessar a rua e chegar à calçada.
A companhia era agradável de alguem que compartilha comigo as delicias e dores a convivencia, da divisão de espaço, sala, banheiro, contas de luz e sem contas de telefone.
O assunto? Algo trivial, como entender onde era o mercado que já ouvira falar. Por onde pisar pra nao encostar nos cocôs de cachorro pelo chão. Nesses olhares pro chão os encontrei.
Eram olhos de diamante, da cor do mar quando 14 bis o canta. Cabelos louros, pele morena de sol.
Jovem.
Muito jovem.
Estava sentado na sarjeta olhando pro horizonte que parecia existir pra ele naquele momento.
Olhar de horizonte. Belo.
Cruzamos os olhares e desviamos.
Olhei de novo.
As roupas em farrapos.
Trapos.
Não sabia a cor, já que tudo estava em tons de marrom e cinza.
Quem era aquele homem? O que teus olhos miravam?
Mil pessoas passavam por ele e desapercebiam-no.
Imagino que ninguém conheceria sua narrativa e quem sabe, isso não aconteça nunca.

às vezes nos permitimos apenas ver, nos afetar, gerar encontros silenciosos, mas não sair disso.

sábado, 13 de novembro de 2010

aquele do toldo azul.

Mal chegara no ponto de onibus estava ali, sonhando debaixo do cobertor preto e vermelho que já parecia úmido da garoa mareada.
Um tempo depois, acordou. Levantou a cabeça, como quem está vendo mas não está enxergando, nem a rua, nem as pessoas, nem o movimento. Passeo como se fingisse não vê-lo, mas não consegui disfarçar.
Os olhos se cruzaram, e logo desviaram para não serem notados. Mas foram.
Percebi que me observava, em meio às tosses que pareciam cuspir a alma. Não se importava me tossir alto, em gritar que estava ali, era o seu jeito de se fazer notar.
Voltou a se deitar. E eu, procurando o coletivo que ja se demorava. Procurava sabendo que queria ficar ali mais um pouco. E aí, lembrei-me que guardava 2 pães na mochila ja estufada. Na hora de comprar, um a mais, que nunca havia comprado. Parecia que alguem sabia que ele iria saciar outras fomes. Pensei em oferece-lo. Não pela fome que parecia atordoa-lo, mas pela janela que se abriria para um encontro. Ensaiei. Me demorei. Peguei o saco. Mantive fechado, segurando o cheiro de massa fresca ali dentro.
Ele tossia. Deitara-se de novo. Após um respiro profundo, e olhos semiabertos para chegar mais perto, vozes altas cortaram o fluxo.
Dois homens chegaram falando alto, soltando fumaça pela boca. Falavam de trabalho e casa. Não pareciam companheiros da rua.
Não larguei o saco de pão. não larguei a ideia de compartilhar substancia de vida. Mas as pernas nao saíam do lugar. Os afetos circulavam no peito, fazia força pra sair, mas nao encontraram saída, nem criaram passagem. O letreiro iluminava meus olhos fracos pela imobilidade.
Cada vez mais. Cada vez mais perto. Levantei os braços. enquanto segurava a mala, o saco de pão, o cheiro, a palavra, o encontro, o fracasso por nao ter compartilhado nada além de incomodos e breves olhares.

às vezes a indiferença é intensidade disfarçada.